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quarta-feira, 25 de março de 2015

good night, Herby



morreu o Herberto Helder, num destes dias

sábado, 20 de outubro de 2012

Diz o Manuel António Pina

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina, Amor Como em Casa

Morreu ontem. Eu também.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Diz o António Pocinho

Não sei em que rubrica me incluo: endereço insuficiente, recusado, desconhecido, residente em parte incerta, falecido ou outros.

António Pocinho, Portal das Selecções

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Diz o Rui Costa

Quando as olhamos de frente rumo ao lado útil do caminho que escolhemos, essas
pessoas arrastam uma nuvem prateada que a cada passo larga uma imagem daquilo
que foram ou das pessoas que amaram.
Essas imagens podem desaparecer para sempre se forem pisadas quando caem no
chão. A gravidade dos pés e da cabeça, e também dos olhos, dessas
pessoas, é, por isso, uma subtil forma de cuidado.

Rui Costa, A nuvem prateada das pessoas graves

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Diz o Ruy Cinatti

Grandes são os santos,
soldados, poetas.
A nossa derrota,
mas que grande festa!

Ruy Cinatti, Gandhi I

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Diz o Carlos de Oliveira

as máquinas estranhas,
os motores com sede, nem sequer
beberam o espírito das minhas casas;
evaporaram-no apenas.

Carlos de Oliveira, Descrição da guerra em Guernica

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Diz o O'Neill

Garanti-nos, meu Deus, um pequeno absurdo cada dia,
Um pequeno absurdo às vezes chega para salvar.

Alexandre O'Neill, [Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja]

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Diz o Rui Knopfli

De pura cobardia reincide o coração. Na margem
do rio indistintos vultos acenam discretamente.


Rui Knopfli, o cão do nilo

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Diz o Ruy Duarte de Carvalho

cuida de ti: diz-se ao que anda sozinho e a quem basta um sóbrio leito...

Ruy Duarte de Carvalho, Observação Directa

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Diz o MS Lourenço

Todo o ar é movimento, e os tambores música de água.

M. S. Lourenço, Imitação da Cruz

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diz o Ary dos Santos

só salvamos a pele se formos cães de ricos

Ary dos Santos, Sigla

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Diz o Fernando Assis Pacheco

Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo.

Fernando Assis Pacheco, Seria o Amor Português

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Diz o António José Forte

eu da cintura pra cima de alcatrão e terror
e do umbigo pra baixo de quiosque chinês
eu não espero piedade obrigado

António José Forte, Declaração

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diz o Eduardo Guerra Carneiro

A casa, recordas? Escura, secreta,
cheia de potes de marmelada, ingénuas
pinturas a óleo das mães, almofadas
bordadas, um coração de Cristo a sangrar,
os tabiques de onde a cal caía. Ah! mas tu não estás!

Eduardo Guerra Carneiro, Elegia

quarta-feira, 28 de março de 2012

Diz o Daniel Faria

Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves
Não é o serem atingidas, mas que,
Uma vez atingidas,
O caçador não repare na sua queda.

Daniel Faria, Pórtico / A Casa dos Ceifeiros

quarta-feira, 21 de março de 2012

Diz o Al Berto

perseguem-te os cães de ninguém e
por trás da tua cabeça rebenta a luz

Al Berto, bisédimo